segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Cresce preocupação com vinho falsificado


Há notícias falsas e obras de arte falsificadas, mas cada vez mais o foco volta-se para a realidade da falsificação de vinhos
Falsificações estão com tudo. Há notícias falsas, obras de arte falsificadas, imitações de bolsas e até sushi falso em Los Angeles. E cada vez mais o foco volta-se para a realidade da falsificação de vinhos.
Há alguns anos, um relatório no jornal francês “Sud Ouest” estimou que 20% dos vinhos podem ser falsificados – um número enorme, que levanta dúvidas entre especialistas. Mas ele também aponta para uma preocupação crescente.
O problema é maior na China, por causa de seu vibrante mercado de vinhos, que deve se tornar um negócio de US$ 69,3 bilhões em 2019, um aumento de 81% em um período de quatro anos.
Em 2016, autoridades italianas confiscaram 9 mil garrafas de Moët Chandon falsificado. Descoberto em um galpão em Pádua, no norte da Itália, o champanhe falsificado custava US$ 375 mil nas lojas. Também estavam escondidas 40 mil etiquetas Moët falsas, que valem quase US$ 2 milhões. A polícia italiana está se tornando especialista em identificar vinhos falsos. Dois anos antes, foram confiscadas 30 mil garrafas de Brunello e Chianti Clássico falsificados em uma batida policial na região central da Itália.
Mas a maioria dos casos notórios de falsificação de vinho envolve garrafas de altíssima qualidade, e o homem por trás das fraudes mais caras recebe cada vez mais atenção da imprensa.
Em 2014, Rudy Kurniawan foi condenado a 10 anos de prisão por vender a suas vítimas, como o empresário Bill Koch, mais de US$ 20 milhões em vinhos falsos – Koch agora combate diretamente a falsificação de vinhos.
Kurniawan, segundo informantes, transformou uma cozinha em uma fábrica de vinhos falsos, enchendo garrafas que ele bebia em restaurantes. Ele pedia para ficar com as garrafas vazias para guardá-las como troféu. Entre os alertas que o delataram: colecionadores informaram que garrafas que eles só haviam visto uma ou duas vezes na vida – um Romanée-Conti de 1959, por exemplo – abundavam no mercado.
O escritor Mark Oldman, cujo livro mais recente é “How to Drink Like a Billionaire”, vem estudando o fenômeno. Oldman está obcecado com a intersecção entre vinhos e crimes. Ele comprou garrafas de prestígio no leilão dos ativos de Bernard Madoff (preso desde 2009 por fraude financeira).
Oldman direcionou suas atenções para Kurniawan: “Fui para a audiência de condenação dele, só por diversão”, disse Oldman. “No glossário de jargões de meu livro, incluí o termo ‘vinho de Rudy’ porque ele faz parte do assunto. Até mesmo antes de essa fraude ser desmascarada, ele era conhecido como ‘Dr. Conti’.” Oldman dedicou um espaço em seu apartamento, apelidado de “Quarto do Crime”, para abrigar garrafas vazias de adegas de prestígio, como Jayer e La Tâche (só de La Tâche 1996, ele tem 30 garrafas vazias).
Ele estima ter cerca de 90 unidades que seriam valiosas nas mãos de alguém com intenções criminosas – em uma estimativa conservadora, elas valem US$ 300 cada no mercado ilegal. Falsificadores, atenção: elas estão protegidas por câmeras Dropcam e sensores de movimento de qualquer um que se sinta tentado.
Valor

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