quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Vereadores cassam o prefeito de Alexandria Ney Moacir Rossato

Por 8 votos a 1, o prefeito de Alexandria, Ney Moacir Rossato, acaba de ter o mandato cassado.Ney respondia a 14 processos e 3 foram até o fim, motivando o afastamento.
Apesar da defesa do prefeito, numa sustentação oral de mais de duas horas, apresentando documentos de um convênio entre a Prefeitura e duas clínicas em Alexandria, os vereadores decidiram pela acusação de improbidade administrativa.
Para Ney Rossato, uma decisão política para favorecer o grupo político do desembargador Expedito Ferreira de Souza, que já lançou a pré-candidatura de sua esposa, Jeane Ferreira, à Prefeitura de Alexandria.
Com a cassação de Ney, assume o presidente da Câmara, vereador Raimundo Andrade, já que o vice-prefeito Edilberto Oliveira, morreu.
A informação em Aexandria é que Raimundo, autor de ações contra Ney, será o companheiro de chapa de Jeane Ferreira nas eleições de outubro.

Terminada a votação, conversei pelo telefone com o prefeito já cassado, Ney Moacir Rossato, do PSB. Thaisa Galvão – O que vem acontecendo em Alexandria, prefeito?
Ney Rossato – Desde setembro, quando houve a convenção do partido do governador (PSD), 5 vereadores foram para Natal mais o desembargador Expedito Ferreira de Souza e a mulher dele, e lá já lançaram logo como pré-candidata Dona Jeane Ferreira. Não me consultaram nada, inclusive eu tinha dito que votaria com ela, eu e minha esposa, mas simplesmente começaram a me escantear e abriram essa comissão de cassação. Então não tem nada, nenhuma prova contundente, nada que causasse uma cassação contra mim. A finalidade dessa comissão foi só me tirar do páreo. Thaisa Galvão – E você tinha direito à reeleição ainda?
Ney Rossato – Tinha, mas eu já tinha dito que não ia ser candidato. A gente pensava em apoiar essa esposa do desembargador, mas aí simplesmente os 5 vereadores acharam que eles tinham maioria e resolveram fazer essa comissão orientados pelo desembargador pra me cassar o mandato, só pra me tirar da jogada. Aí assume o presidente, e ele vai ter que fazer uma eleição indireta dentro de 30 dias, vai ser uma eleição entre os membros da Câmara. Foi uma cassação política. Nada, nada, nada tem contra mim. Thaisa Galvão – O senhor acha então que os vereadores já foram para a sessão sabendo como seria o voto, independente da sua defesa?
Ney Rossato – Já, já sabiam de antecedência. Só teve um vereador que votou contra a cassação porque já conhecia o processo. Thaisa Galvão – Então o senhor acha que foi um ato político?
Ney Rossato – O ano passado eu tive que fazer quimioterapia porque eu tive um linfoma. E o que aconteceu? Eu chamei o presidente da Câmara e ofereci a ele pra ficar uns 3 meses para eu me tratar. Ele não quis. Agora não fiz isso oficialmente, só chamei ele na frente de uns amigos e ele disse que não queria. Aí quando foi agora o desembargador, doutor Expedito, viu que era hora de botar alguém dele para poder fazer o trabalho para a mulher dele. Ninguém conhece ela aqui, ela é lá de Cabrobó, no sertão de Pernambuco. E o que aconteceu foi uma cassação política. Não teve prova de nada porque o meu advogado desmascarou tudo. Thaisa Galvão – E o senhor vai recorrer?
Ney Rossato – Eu não sei nem se vale a pena porque se chegar no Tribunal de Justiça vai ser colocado lá de molho e talvez só no fim do mandato é que vão mandar para dar o resultado. Thaisa Galvão – E a pré-candidata já está atuando por aí?
Ney Rossato – Eles estavam usando aqui as máquinas de perfuração do Governo pra conseguir votos pra ela, e aqui, 80% da cidade não aceitou isso. Aí eu comuniquei isso à Femurn (Federação dos Municípios), o presidente da Femurn, prefeito de Mossoró Francisco José, deve ter comunicado ao governador e o governador mandou parar as máquinas na hora. Porque ela já está em campanha aqui, e não pode, por lei ela não pode.
Thaisa Galvão

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