quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Após lançamento, cantor Bell Marques vai mudar letra de música

Logo após o cantor Bell Marques divulgar em seu Facebook a música ‘Cabelo de Chapinha’, sua aposta para o Carnaval de 2016, o seu nome se tornou um dos mais comentados da internet.
A polêmica envolvia a letra da música, considerada por fãs e movimentos sociais como racista e machista.
De acordo com informações divulgadas pelo jornal A Tarde, o cantor foi à sede do Ministério Público para firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) nesta segunda-feira, 14.
Além de se comprometer a alterar a letra da referida música recém-lançada, Bell deverá promover campanhas contra o racismo e machismo durante o Carnaval de Salvador do ano que vem.
Na última quinta-feira, 10, o cantor utilizou o Facebook para rebater as críticas à letra da música. “Essa música nova, ‘Cabelo de Chapinha’, está sendo cantada nos quatro cantos do Brasil e isso mostra sua aceitação sem ‘mas’ nem ‘porquês’. É uma canção na qual o compositor se inspirou em um personagem que adora sua parceira e lhe pede, com carinho, que se arrume do jeito que ele gosta”, afirma Bell.
Ainda de acordo com ele, a aceitação rápida da música por maior parte do público se deve à “gentileza” e ao “amor” presentes na mensagem da canção.
Por fim, ele pede desculpas a quem não conseguiu compreender a intenção de Fagner, Felipe Escandurras e Gileno, compositores da música.
“Mau gosto”
O escritor e militante do Movimento Negro, Ivaldo Paixão, afirmou em entrevista ao O POVO Online que a letra da música é de “extremo mau gosto”, pois segundo ele, induz as pessoas ao racismo e ao sexismo.
“É triste ver uma pessoa como ele não usar o seu talento e popularidade para combater o racismo, em especial à mulher negra. É uma covardia, pois elas estão na base da pirâmide”, critica Ivaldo.
Ainda de acordo com ele, Bell não deveria menosprezar algo que, na verdade, deveria ser combatido por ele, cujo Estado de origem é a Bahia. “Na Bahia tem toda uma dificuldade em relação ao preconceito e o fenótipo do Bell Marques é de negro, a música dele é afro.
Minha nega é até uma forma carinhosa de se dirigir à mulher negra, mas pedir para ela fugir de suas origens. É uma coisa tão natural desprezar a mulher que ele nem acha que é racista”, complementa o escritor.
A antropóloga Naira Gomes, idealizadora do movimento Empoderamento Crespo, declarou em entrevista ao Jornal MASSA! que a música afeta a mulher em mais de um aspecto. “A música atinge duplamente a mulher, em especial a mulher negra.
Fala de um homem que espera adequação da imagem da sua parceira ao gosto dele. E tem abordagem racista, quando ratifica as opressões que os corpos negros vêm sofrendo. É a imposição de um padrão estético que não nos contempla”, criticou.
Confira a letra da música:
“Minha nega, vai lá no salão faz aquele corte que seu nego gosta de te ver
Me traz seu coração, porque essa noite só vai dar eu e você
Com esse amor ninguém pode
Só água na cabeça
Pra apagar o fogo
Ô mainha, mas eu só gosto do cabelo de chapinha, mainha
Ô tá liso, tá lisinho. Tá liso, tá lisinho
Tá liso, tá lisinho. Tá liso, tá lisinho
Ô mainha, mas eu só gosto do cabelo de chapinha, mainha
Ô tá liso, tá lisinho. Tá liso, tá lisinho
Tá liso, tá lisinho. Tá liso, tá lisinho”
Fonte: O Povo

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